Ministros e deputados aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemoraram nas redes sociais a aprovação no Senado do projeto que permite ao governo responder às tarifas dos Estados Unidos. O texto será votado na Câmara nesta 4ª feira (2.mar.2025).
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou no X que o governo está atuando em conjunto com o Congresso para “defender” o Brasil das medidas do presidente dos EUA, Donald Trump (Republicano). Para a petista, a aprovação na Casa Alta é a prova de que “é possível unir partidos e bancadas quando o interesse do país é ameaçado”.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, afirmou que “quem saiu ganhando foi o Brasil” com a aprovação. Além de reforçar o discurso de união de partidos em prol de interesses nacionais, Teixeira criticou o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) às tarifas de Trump.
“Todos os setores políticos se uniram em defesa dos nossos interesses. E fica a lição para aqueles que, como o inelegível, defendem um presidente dos EUA que age claramente contra o nosso país.”
O líder do Governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), declarou que o tarifaço é o maior passo de Trump para isolar os EUA do resto do mundo e que o governo e o Congresso trabalham juntos para adotar medidas de reciprocidade. “Em defesa da soberania brasileira!”, disse.
O líder do PT na Casa Baixa, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que a proposta é prioridade do partido na Câmara e que irão trabalhar para que o texto seja aprovado por unanimidade. “O momento exige que deixemos os interesses menores de lado para pensar no país, defender nossa soberania e nossos empregos”, disse.
ENTENDA
Inicialmente, o texto original (íntegra) focava na reciprocidade ambiental. Obrigava que países interessados em vender seus produtos ao Brasil cumprissem os mesmos critérios ambientais brasileiros, como na emissão de gases poluentes.
O aumento de tarifas anunciado por Trump, no entanto, fez o projeto ganhar força e receber modificações.
Pelo texto, caberá ao Conselho Estratégico da Camex (Câmara de Comércio Exterior) decidir se adota contramedidas em diferentes esferas (restrição às importações de bens e serviços; suspensão de concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual).
O projeto determina que as contramedidas “deverão ser, na medida do possível, proporcionais ao impacto econômico causado pelas ações”.
Também estabelece a realização de consultas diplomáticas coordenadas pelo Ministério das Relações Exteriores para analisar os impactos das contramedidas.