Com 33 assinaturas, Bittar protocola CPI dos Correios no Senado

O senador Márcio Bittar (União Brasil-AC) coletou 33 assinaturas e protocolou, nesta 4ª feira (19.fev.2025) o pedido para instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar prejuízo e má gestão nos Correios.

A estatal, sob a liderança do advogado Fabiano Silva dos Santos, iniciou uma sequência de prejuízos que culminaram no maior rombo da história da estatal em 2024. Foram mais de R$ 3 bilhões em déficit. Eis a íntegra do pedido de investigação (PDF – 332 kB).

Bittar cita 4 pontos que a comissão pretende se debruçar:

  1. irregularidades na gestão financeira e administrativa;
  2. problemas operacionais que impactam a qualidade e o custo dos serviços prestados;
  3. interferências políticas;
  4. problemas de gestão no fundo previdenciário.

Eis os nomes dos senadores que assinaram a petição:

  1. Marcio Bittar (União Brasil-AC);
  2. Rogerio Marinho (PL-RN);
  3. Eduardo Girão (Novo-CE);
  4. Marcos Rogério (PL-RO);
  5. Chico Rodrigues (PSB-RR);
  6. Jaime Bagattoli (PL-RO);
  7. Ciro Nogueira (PP-PI);
  8. Cleitinho (Republicanos-MG);
  9. Plínio Valério (PSDB-AM);
  10. Magno Malta (PL-ES);
  11. Damares Alves (Republicanos0-DF);
  12. Jorge Seif (PL-SC);
  13. Dr. Hiran (PP-RR);
  14. Eduardo Gomes (PL-TO);
  15. Luis Carlos Heinze (PP-RS);
  16. Lucas Barreto (PSD-AP);
  17. Marcos Pontes (PL-SP);
  18. Zequinha Marinho (Podemos-PA);
  19. Flavio Bolsonaro (PL-RJ);
  20. Hamilton Mourão (Republicanos-RS);
  21. Wilder Morais (PL-GO);
  22. Tereza Cristina (PP-MS);
  23. Carlos Portinho (PL-RJ);
  24. Esperidião Amin (PP-SC);
  25. Styvenson Valentim (PSDB-RN);
  26. Wellington Fagundes (PL-MT);
  27. Izalci Lucas (PL-DF);
  28. Soraya Thronicke (União Brasil-MS);
  29. Marcos do Val (Podemos-ES);
  30. Nelsinho Trad (PSD-MS);
  31. Mecias de Jesus (Republicanos-RR);
  32. Laércio Oliveira (PP-SE);
  33. Eudócia Caldas (PL-AL).

O Poder360 vem publicando desde novembro de 2024 reportagens sobre problemas na estatal. Trataram de a estatal desistir de ações trabalhistas com prejuízo bilionário para a empresa, gastos milionários com “vale-peru”, entre outras (leia a lista no fim da reportagem).

O presidente dos Correios é advogado e foi indicado ao cargo pelo Prerrogativas, o Prerrô, diminutivo pelo qual o grupo é chamado. É um grupo de operadores do direito simpáticos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O coletivo atuou e segue atuando contra as acusações de processos da Lava Jato.

Tem relação de amizade com o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu. É conhecido como o “churrasqueiro de Lula”, pois costuma comandar a cozinha quando há alguma confraternização em que carnes são preparadas para o presidente da República.

CPMI dos Correios em 2005

Em 2005, ainda no 1º governo Lula, foi criada a CPI dos Correios, que depois passou a investigar também as denúncias do mensalão, esquema em que congressistas recebiam dinheiro oriundo de contratos de publicidade da estatal para votarem com o governo.

A CPMI dos Correios foi criada em maio de 2005. O objetivo era investigar denúncias de corrupção em estatais e, mais diretamente, nos Correios.

O foco mudou quando uma gravação em vídeo, à época uma fita VHS, mostrando o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho negociando propina com empresários. Ele dizia ter respaldo do então deputado federal Roberto Jefferson.

O congressista, então, denunciou publicamente o esquema de mesadas. Os titulares da comissão pregaram a ampliação do foco da CPI alegando que o dinheiro de corrupção das estatais era fonte dos recursos do “mensalão”.

A comissão foi do tipo mista, com 16 deputados e 16 senadores. O presidente era o então petista Delcídio do Amaral, de Mato Grosso do Sul, o senador Delcídio Amaral. Uma década depois, ele fez delação premiada acusando o governo de Dilma Rousseff (PT) de crimes.

Em 2012, o STF condenou 25 réus do Mensalão por causa da CPMI dos Correios. O STF entendeu que houve o cometimento de 7 crimes, entre eles formação de quadrilha e corrupção ativa e passiva.


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