O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou nesta quarta-feira (26) que a “ala” que ganhou as eleições na Frente Parlamentar Evangélica foi a que se submeteu a uma “ameaça” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O parlamentar disputou o comando da bancada, mas foi derrotado por Gilberto Nascimento (PSD-SP), que tinha o apoio de Bolsonaro, e recebeu 117 votos. Otoni recebeu 61 votos.
“A ala que ganhou foi a que se submeteu à ameaça que o ex-presidente Bolsonaro fez que, se eu fosse eleito, ele entenderia isso como uma traição”, afirmou Otoni à CNN.
O deputado negou haver um racha na bancada evangélica, mas disse que existe uma divisão sobre posicionamentos políticos dentro do grupo. Ex-aliado de Bolsonaro, o parlamentar se aproximou do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse haver uma “fake news” sobre ele ser governista.
“Entendo que há realmente essa divisão aqui na Frente Parlamentar Evangélica. Um terço da frente – e a maioria não estava aqui por conta desse pré-feriado – não se submeteu às ordens do presidente Bolsonaro”, declarou.
Para o deputado, o “bolsonarismo é um fenômeno de alguns anos atrás”, enquanto o conservadorismo e o espectro de direita são anteriores a esse cenário político.
“Há uma ala talvez mais ligada ao ex-presidente Bolsonaro e uma ala, que eu represento, não ligada ao presidente Bolsonaro, mas que continua sendo de direita, continua sendo conservadora”, disse.
Convite a Lula
Otoni relatou ter sugerido ao novo presidente da bancada, Gilberto Nascimento, que, caso seja do desejo de Lula, o grupo possa ir ao Palácio do Planalto orar pelo presidente. Outra sugestão é que o petista seja convidado a participar de cultos da frente.
“Ou ainda, convidá-lo para vir aqui ao culto [da frente], como Bolsonaro vinha aos nossos cultos. Por que que o presidente da República atual não pode vir? Se o reino de Deus está aberto a todos”, justificou. “Acho que ele [Gilberto] demonstraria grandeza”.
Para Otoni, há uma “confusão muito grande” entre religião e política. “Os que não votam no presidente Bolsonaro, esses irmãos estão sendo condenados a serem enxovalhados, criticados. E eu só lamento isso, porque a nossa unidade deve estar acima de tudo”, defendeu.
Bancada evangélica
A Frente Parlamentar Evangélica é um dos grupos de maior representatividade na Câmara dos Deputados, que chega a ser superior a um terço da Casa. A bancada é formada por 219 deputados e 26 senadores, mas apenas 183 congressistas participaram da votação de terça.
Essa foi a primeira vez que a bancada definiu sua liderança por meio de disputa por voto. Antes, os líderes eram escolhidos por consenso — foi o caso, por exemplo, do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que presidiu o grupo nos anos de 2021 e 2022.
Em 2023, após uma tentativa de eleição, foi acordado o revezamento a cada seis meses dos deputados Silas Câmara (Republicanos-AM) e Eli Borges (PL-TO) no comando do grupo.
Este conteúdo foi originalmente publicado em Venceu ala que se submeteu a Bolsonaro, diz Otoni sobre bancada evangélica no site CNN Brasil.